Ekatierina Ivânovnna

Esse blog é um pouco do que eu sou, o meu pensar. É também uma homenagem à arte da pintura, da música e da literatura. Como Ekatierina Ivânovnna, assino o nome dessa personagem de Dostoiévski,autor do fabuloso "Crime e Castigo",uma mulher de família relativamente próspera, mas que caiu na pobreza. Não assemelho-me a ela em suas condições sociais e morais, mas mesmo assim, entrego-me ao autor, nos braços da palavra profundamente humana e subjetivamente filosófica de Dostoiéviski...

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Uma mulher

Sunday, September 03, 2006

Quem dera posar nua, sob o olhar intrigante de um Renoir...

Sei que a crítica dá a medida da sensibilidade do meu pintor favorito, mais afeito às delícias da vida que ao obscuro mundo das brumas metafísicas... Esta alegria de viver acompanhou toda a obra luminosa de Renoir, mesmo quando ele se dedicava aos retratos de encomenda, como prova a série de trabalhos do segmento Família Le Coeur, com obras do início de carreira. Mas a explosão de exuberância e voluptuosidade acontece mesmo no período impressionista, momento em que inicia a pesquisa dos efeitos de luz e do jogo das cores primárias e complementares, pintando ao ar livre. Para melhor perceber as nuanças cromáticas, Renoir evitava ler e assim gastar a vista. São desta fase o já citado Remadores em Chatou. O quadro revela um Renoir no auge da paleta vibrante e luminosa, que já havia dado obras-primas como Baile no Moulin de la Galette (1876), maravilha da arte moderna que não sai nunca do Musée D’Orsay.

Nesta época, as obras de Renoir e seu grupo eram recusadas no tradicional encontro parisiense das artes e recebidas a pedradas pelos críticos acadêmicos. Pierre Wolf, do Le Figaro, por exemplo, assim escreveu sobre um nu do pintor: “Tentem explicar ao senhor Renoir que o torso de uma mulher não é um monte de carnes em decomposição, com manchas verde-violáceas, que denotam um estado de total putrefação.” Justo ele que dizia pintar pessoas como se elas fossem belas frutas. Quem hoje vê suas banhistas de pele de pêssego, um dos seus temas prediletos, que vai acompanhá-lo até o final da vida, sabe o grau de miopia que acometia a crítica da época.

Há várias delas: Banhista sentada enxugando a perna (1914), do Musée National de L’Orangerie; Banhista sentada com paisagem (1895), que foi da coleção particular de Picasso e hoje está no seu museu; e A banhista e o cão Grifon (1870), pertencente ao Masp. “Eu nem sabia andar direito e já adorava as mulheres”, disse ele na biografia Pierre-Auguste Renoir, escrita pelo filho e cineasta Jean Renoir. Amo-te, em cada traço meu...

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