
A certeza de que existo, de que eu sei isto e de que estou feliz por isto acontece independentemente de qualquer fantasia ou contradição imaginária.
Com relação a estas verdades, não temo qualquer argumento apresentado pelos acadêmicos. Se eles dizem “e se você estiver errado?”, respondo “ainda que eu esteja errado, ainda assim existo”. O ser que não existe não pode se enganar. Por isto se me engano, existo. Logo, se o fato de estar enganado prova que eu existo, como poso estar errado quando penso que existo, se meu erro confirma minha existência. Por isto, devo existir para que eu posa estar errado, logo, mesmo que eu esteja errado, não se pode negar que não o estou na minha certeza de que eu existo. Portanto não estou errado ao saber que sei. Pois da mesma maneira que sei que existo, também sei que sei. E quando me alegro com esses dois fatos, poso acrescentar com igual certeza essa alegria às coisas que eu sei. Pois não estou errado nessa alegria, porque não estou enganado quanto às coisas que eu amo. Ainda que essas coisas sejam ilusórias, ainda seria um fato eu amar as ilusões.
Santo Agostinho - A cidade de Deus, Livro XI, cap. 26.

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