Ekatierina Ivânovnna

Esse blog é um pouco do que eu sou, o meu pensar. É também uma homenagem à arte da pintura, da música e da literatura. Como Ekatierina Ivânovnna, assino o nome dessa personagem de Dostoiévski,autor do fabuloso "Crime e Castigo",uma mulher de família relativamente próspera, mas que caiu na pobreza. Não assemelho-me a ela em suas condições sociais e morais, mas mesmo assim, entrego-me ao autor, nos braços da palavra profundamente humana e subjetivamente filosófica de Dostoiéviski...

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Uma mulher

Tuesday, October 31, 2006


Conhecem-se os verdadeiros amigos, quando em um soçobro, lá estão eles, como tábua de salvação. Quando se mergulha no abismo do sofrimento, o ombro amigo, os braços fortes são portais onde se pode abrigar. No amor, a máxima latina "res non verba"se torna preciosa. Com o tempo, as palavras desgastam-se. "Eu te amo" deveria ser um ato de rendição incondicional, uma inexorável posição. Mas a banalização das palavras perderam a sua densidade, seu valor expressivo. Como saber o significado real da palavra, no dizer por dizer ? Queria eu, viver a vida da personagem do romance, mas queria mesmo entrar no livro que jaz em minhas mãos e jamais retornar...

Saturday, October 28, 2006


A invisibilidade é condição para a elegância.

“Parece-me que a invisibilidade é condição para a elegância. A elegância acaba se for notada. Sendo a poesia a elegância por excelência, não sabe ser visível.Então, para que serve ?, dir-me-eis.Para nada. Quem a vê ?Ninguém.O que a não impede de ser um atentado ao pudor, e apesar do seu exibicionismo se exercer entre os cegos, contenta-se em exprimir uma moral particular.Depois, essa moral particular solta-se em forma de obra.Exige que a deixem viver a sua vida.Faz-se pretexto para imensos mal-entendidos que se chamam glória.A glória é um absurdo por resultar de um ajuntamento. A multidão cerca um acidente, conta-o a si mesma, inventa-o, perturba-o, até se transformar noutro. O belo resulta sempre de um acidente. De uma quebra brutal entre hábitos adquiridos e hábitos a adquirir.Derrota, nauseia. Chega a causar horror.Quando o novo hábito for adquirido, o acidente deixará a ser acidente.Far-se-á clássico e perderá a virtude de choque. Por isso uma obra nunca é compreendida. É admitida. Se não me engano, a afirmação pertence à Eugène Delacroix: “ Nunca se é compreendido. É-se admitido. Matisse repete com freqüência essa frase. “

Jean Cocteau in “Visão Invisível”.